Os falsos ensinos sobre a liberdade da graça

Os falsos ensinos sobre a liberdade da graça

Por: Márcio Ramos

Textos Base:Atos 20:29-31a; e 2 Timóteo 4:3-5 (versão NVI)

Sei que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos. Por isso, vigiem!

Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério.

Como vimos nas passagens que nós acabamos de ler, é certo que se levantariam, mesmo no interior do meio evangélico, lobos vestidos com pele de cordeiro para enganar o povo de Deus, mediante a distorção do verdadeiro Evangelho do Reino. É certo, também, conforme a Palavra, que muitos prefeririam se cercar de falsos mestres, recusando a verdade do Senhor, para ouvir aquilo que lhes é agradável segundo a cobiça dos seus próprios corações. A conjunção destes dois elementos – falsos mestres e falsos seguidores de Deus - constituem, então, um substrato sólido para a propagação de doutrinas apóstatas e heréticas, que, no mais das vezes, negam a real substância da cruz e relativizam ou esvaziam o conceito de pecado.

É o que acontece hoje, onde alguns têm se levantado para pregar que, uma vez que a graça nos liberta da condenação da Lei, não existe nenhum sentido em constranger àqueles que são libertos a qualquer código de conduta moral, seja ele qual for, pois isso seria introduzir um novo fardo pesado, impossível de ser carregado, da mesma forma que sucedera na época da Lei, ou seja, já que o homem nunca conseguiu cumprir a Lei, também não conseguirá cumprir qualquer outro regramento assemelhado e, portanto, deve apenas usufruir da liberdade conquistada na cruz, pois o amor e a misericórdia de Deus seriam exercidos sob a única condição de crer em Cristo Jesus.

Na verdade, ao contrário do que alguns pensam, esta falsa doutrina nada tem de nova e já estava presente desde o tempo de ministério dos apóstolos Paulo e João, sendo citada nominalmente e rejeitada de forma absoluta por Deus em Apocalipse 2:15, como a doutrina dos nicolaítas, a qual defendia que, em função da liberdade da graça, o homem estava livre para buscar o seu prazer, notadamente na área sexual, sem se deixar constranger por qualquer regramento de conduta, como, por exemplo, a rejeição às obras da carne, de Gálatas 5:19-21.

Para dirimir qualquer dúvida a respeito dos limites da liberdade da graça, vamos seguir a oportuna e prudente consideração de Paulo, que afirmou que os judeus da sinagoga de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para conferir se o que fora dito tinha respaldo na Palavra de Deus. Sendo assim, vamos passear em alguns textos bíblicos do novo testamento, para ouvirmos da boca de Jesus, do próprio Paulo, do autor de Hebreus, de Tiago, de João e de Pedro o verdadeiro teor do evangelho acerca da liberdade da graça e dos limites do Espírito frente ao pecado:

Textos de doutrina: Gl 5:13, 16;  Rm 6:1-18, 22-23 e 12:1-2; 1 Co 6:18-20; Ef 5:1-4; Hb 10:26-31; Tg 4:4; 1 Jo 1:5-7; 2 Pe 1-3, 13-14, 17-22; e Ap 21:8  (versão NVI)

Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. (...) Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne.

Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente? De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado. Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. Pois sabemos que, tendo sido ressuscitado dos mortos, Cristo não pode morrer outra vez: a morte não tem mais domínio sobre ele. Porque morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; mas vivendo, vive para Deus. Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros do corpo de vocês ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros do corpo de vocês a ele, como instrumentos de justiça. Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da Lei, mas debaixo da graça. E então? Vamos pecar porque não estamos debaixo da Lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma! Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça? Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça. (...) Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna. Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional https:// de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo. Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo.

Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus. Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ações de graças. Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral, ou impuro, ou ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. Portanto, não participem com eles dessas coisas. Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz https://consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso. Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas. Por isso é que foi dito: ‘Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti’".

Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus. Quem rejeitava a Lei de Moisés morria sem misericórdia pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: ‘A mim pertence a vingança; eu retribuirei’; e outra vez: ‘O Senhor julgará o seu povo’. Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!

Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus.

Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.

No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda. (...) Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram. Consideram prazer entregar-se à devassidão em plena luz do dia. São nódoas e manchas, regalando-se em seus prazereshttps://, quando participam das festas de vocês. Tendo os olhos cheios de adultério, nunca param de pecar, iludem os instáveis e têm o coração exercitado na ganância. Malditos! (...) Esses homens são fontes sem água e névoas impelidas pela tempestade. A escuridão das trevas lhes está reservada, pois eles, com palavras de vaidosa arrogância e provocando os desejos libertinos da carne, seduzem os que estão quase conseguindo fugir daqueles que vivem no erroPrometendo-lhes liberdade, eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é escravo daquilo que o domina. Se, tendo escapado das contaminações do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encontram-se novamente nelas enredados e por elas dominados, estão em pior estado do que no princípio. Teria sido melhor que não tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, depois de o terem conhecido, voltarem as costas para o santo mandamento que lhes foi transmitido. Confirma-se neles que é verdadeiro o provérbio: ‘O cão volta ao seu vômito’ e ainda: ‘A porca lavada volta a revolver-se na lama’.

Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos, o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte.

A Palavra de Deus é contundente e inequívoca. Dos textos lidos, resta mais do que claro que a liberdade da graça só é alcançada, na sua plenitude, por aqueles que renegam a si mesmos e assumem a sua própria cruz, para andarem na luz, segundo a direção do Espírito Santo. Não constitui, em hipótese alguma, uma licença para a irresponsabilidade frente ao pecado e/ou o desprezo pelos regramentos morais de Deus e Seus princípios, claramente explicitados ao homem. O que a Palavra demonstra à exaustão é que a graça nos conduz, de forma maravilhosa, ao Reino do Amor, concedendo uma substância de vida que a Lei, por si mesma, jamais pôde oferecer, pois que nela não havia lugar para arrependimento e perdão e qualquer mínima transgressão conduzia à condenação.

Entretanto, Jesus não veio revogar a Lei, mas mostrar a nós a sua verdadeira natureza, fundada no amor, combustível essencial para todo o andar dos Seus seguidores. É certo que o nascido de novo sempre estará sujeito a pecar, devido à natureza do pecado que ainda habita no seu corpo carnal, pelo que deverá se arrepender, confessar, abandonar o pecado e pedir o perdão de Deus, mas ele jamais poderá se curvar, acomodar, ou conviver de forma habitual com o pecado e iludir-se de que permanece na luz, pois a sujeição ao pecado significa, indubitavelmente, trevas e rebeldia contra Deus.

Da mesma forma, não há qualquer respaldo na Palavra para o argumento de que ninguém pode admoestar ao outro sobre o pecado, nem mesmo os pastores, pois isso incorreria em julgamento humano, condenado por Deus. É certo que não devemos julgar, pois não temos autoridade para isso aqui na Terra. Já, admoestar, com base na Palavra de Deus, sobre algo que está flagrantemente em desconformidade com o padrão bíblico, para que o irmão não se desvie da verdade, não só podemos como devemos, pois a Palavra mesmo nos diz, em Tg 5:19-20: “Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade e alguém o trouxer de volta, lembrem-se disso: Quem converte um pecador do erro do seu caminho, salvará a vida dessa pessoa e fará que muitíssimos pecados sejam perdoados”. Assim é, que Paulo, em quase todas as suas epístolas, exercita o seu legítimo ministério apostolar, exortando os crentes quanto à tolerância ao pecado e ao desvio do caminho correto, bem como apontando a correção de rumos e a necessidade de ajustes de conduta (ex: 1 Co 5:1-11 e 2 Ts 3:11-12), inclusive, aconselhando-os a assim procederem uns com os outros (ex: 2 Co 13:11 e Gl 6:1), conquanto isso deva ser sempre feito com amor e visando à edificação e nunca com o fim de desvalorizar àquele que é exortado, vez que o propósito é sempre o da preservação da salvação..

Ora, nosso Deus é santo e nos chama para sermos santos, à imagem e semelhança de Seu Filho Amado. Como, então, poderemos dizer que temos o amor de Jesus em nós e que vivemos debaixo da Sua graça, se, ao mesmo tempo, nos recusarmos a cumprir os Seus mandamentos, baratearmos o preço pago no calvário e nos entregamos aos nossos prazeres e interesses pessoais, consoante os valores do presente século? Antes, a Palavra nos adverte em Mc 8:34-38, João 14:21 e Gálatas 1:8, 5:19-21 e 6:7-8 (versão NVI):

Então ele chamou a multidão e os discípulos e disse: ‘Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma? Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos’.

Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também amarei e me revelarei a ele.

Mas ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!

Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.

Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.”

Para finalizar, eu peço aos presentes que fechem os seus olhos por um momento e ouçam com atenção algumas instruções de Paulo a Timóteo, que o Senhor quer salientar, de modo especial, aos nossos corações, na noite de hoje (junção de diversos trechos das duas epístolas a Timóteo – versão RA):

O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada. Foge destes. A linguagem deles corrói como câncer. Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor. Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. Tu és soldado de Cristo. Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas. Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas. Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos. Fiel é esta palavra: se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseverarmos, também com ele reinaremos; se o negarmos, ele, por sua vez, nos negará. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade. Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo, quanto aos que o ouvirem. O Senhor ilumine o teu espírito.”

Por: Márcio Ramos


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