Carta 034

05/03/2015 09:16

Em 4/3/2015, Miriam escreveu:

Boa noite, Pastor Solon!

 

Terminei a leitura do seu livro na última semana e, sem querer ser bajuladora, já estou com vontade de lê-lo de novo. E olha que eu sou uma péssima leitora! Resultado da falta de hábito quando criança. Certas coisas a gente devia ser incentivada a fazer desde cedo, não é mesmo? A propósito, li o livro em poucas, porém, espaçadas assentadas; É que eu preciso de concentração e muito silêncio para ler - o que aqui na minha casa não é muito fácil de conseguir. rsrs

 

Enfim, gostaria muito de expressar a minha impressão a respeito do estudo que o senhor formulou. Confesso que fiquei surpresa, no bom sentido. A abordagem do tema foi muito além das minhas expectativas e, pessoalmente, tirarei bastante proveito da sua obra, já que nela o senhor explica muitas coisas que eu compreendia na leitura bíblica pelo contexto geral, porém sem conseguir organizar minhas ideias.

 

A forma simples, porém bem fundamentada com que o senhor desenvolveu cada tópico faz com que leitura flua agradavelmente e torna mais fácil a fixação do conteúdo. Gostei principalmente da vasta explicação do dízimo no Velho Testamento. Que maravilha!

 

Sobretudo, o que mais me tocou foi perceber que o senhor, apesar de pessoa culta e experimentada na vida cristã, escolheu o fundamento mais simples e por isso, talvez, o mais rechaçado - ou no mínimo, menos enfatizado - pelos ministros do Evangelho para sustentar as suas conclusões e, acredito eu, o seu próprio ministério: o amor de Deus. Escolhestes, pois, o caminho mais excelente.

 

Pretendo recomendar o livro para meus irmãos de congregação (ICM), principalmente para os obreiros e aspirantes ao ministério pastoral. Sei porém que a maioria não irá ao site para baixá-lo por se tratar de "outra" igreja. É triste essa separação, mas, como o senhor sabe, tal pensamento está enraizado na mente de muitos irmãos. Por isso, se o senhor permitir, gostaria de passar o arquivo para os que se interessarem.

 

Mais uma vez, o parabenizo pela sinceridade e ousadia. Que o Senhor Deus continue a te inspirar na aplicação da Palavra e que guarde a ti, sua família e seu ministério, acrescentando a cada dia a luz do Espírito Santo.

 

Um abraço fraternal e a paz do Senhor Jesus!

Miriam

Resposta, em 5/3/2015:

Prezada Miriam, que a paz do Senhor Jesus seja com toda a sua casa.

 

Fiquei surpreso com o seu relato positivo sobre o livro. Depois de 6 meses da sua publicação, eu já havia virado essa página. Tomei-o apenas como meu manual pessoal e resolvi desligar-me das impressões que o trabalho possa ter causado em terceiros. Dias atrás, ao conversar com um pastor que conheci, percebi que ele me ouviu bem até que eu lhe contasse sobre o livro. Depois disso, ele ficou desconfortável e lembrou-se que tinha coisas melhores para fazer do que me ouvir.

 

Assim, por perceber o desinteresse geral pelo assunto, decidi que nem vou continuar a publicar partes do livro no site como eu vinha fazendo. Se tenho muitas outras coisas por fazer no âmbito da Igreja Cristã Celeiros (ICC), certamente defender minha visão perante terceiros é a minha última prioridade.

 

Mas, fico feliz em saber que a leitura lhe foi instrutiva. Percebi que você é um tanto modesta, pois quem não lê não escreve bem como você. Por outro lado, vejo que você foi muito generosa pelo modo como se referiu ao livro. Muito obrigado!

 

Quanto a divulgar o livro aos nossos irmãos da ICM, não sei se é uma boa ideia. Oferecer ajuda a quem não está pedindo já me causou muitas frustrações. Hoje, prefiro ajudar apenas quem se mostra sincero, precisa e pede auxílio. Quando oferecemos algo a quem não pediu recebemos em troca a desconfiança. Afinal, em regra, as pessoas são egoístas e só se aproximam das outras para satisfazer seus próprios interesses. Raramente vemos alguém se aproximar para oferecer ajuda e nem sempre quem faz isso é firme e sincero em seus propósitos. Sabendo disso, é natural que alguém desconfie quando outra pessoa aparece oferecendo algo. Eu mesmo desconfio das pessoas que se aproximam dizendo que querem me ajudar. Normalmente, ouço por educação, mas não fico nem um pouco tocado por coisas desse tipo.

 

Por isso, querida, acho que oferecer o livro a quem está vivendo bem com seus conceitos é uma perda de tempo. Provavelmente as pessoas nem o lerão e ainda farão mal juízo de você. Alguns pensarão que você está querendo desvirtuá-los e outros acharão que o livro não tem valor e por isso está sendo oferecido de graça. Minha esposa, Roseli, sempre me diz para eu parar com a mania de dar as coisas para os outros. Ela afirma que as pessoas não dão valor quando não têm de pagar pelo que precisam. De fato, “Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem, mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento.” (Provérbios 13:11 RA). Pensando nisso, resolvi, também, parar de distribuir a versão eletrônica.

 

Por último, considero que, se após seis meses alguém não teve coragem para se identificar e pedir uma versão eletrônica no site, não terá a força moral necessária para mudar nada em sua vida. Tal pessoa, mesmo que concorde com a tese do livro não terá coragem para mudar nada em sua vida. Quem é covarde no pouco, certamente será covarde no muito.

 

Enfim, Miriam, renovo meus agradecimentos por sua gentileza. Seu relato, foi-me animador!

 

O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.

Grande abraço,

Pastor Sólon

 

Em 9/3/2015, Miriam escreveu:

Bom dia, prezado pastor! 

 
Acredite, não estava sendo modesta quando falei da minha falta de hábito de leitura. Eu gostaria de ser daquelas pessoas que leem mais de 10 livros por ano; como as minhas irmãs que leem um livro por mês, por exemplo; falta-me realmente esta habilidade. O fato de escrever decentemente é porque tive uma boa professora de Português no primeiro grau e talvez por uma certa facilidade com a disciplina.
 
Entendo as suas motivações para ter escrito o livro e suas razões em não fazer tanta questão na divulgação dele; não é tarefa das mais fáceis defender nossas idéias, especialmente quando o assunto é espiritualidade e nossa compreensão destas coisas. Eu gosto de ler as coisas que o senhor escreve, principalmente, porque o senhor defende suas ideias com fundamentação lógica, amparadas por estudos e o observância quanto ao contexto e historicidade , sem fazer apelo para o místico do tipo "o Senhor me revelou", a "MINHA" Bíblia diz isso ou aquilo",  ou querer impor sua visão como a única interpretação possível. Coisas deste tipo são muito comuns no meio pentecostal e infelizmente trazem mais divisão e contenda do que esclarecimento e edificação. 
 
Entristece-me sobremaneira quando alguns ministros do evangelho - muitos até bem intencionados - querem empurrar goela abaixo seus conceitos, fazendo com que a carga dos convertidos fique tão pesada a ponto de muitos desistirem da fé. Eu mesma já estive à beira de desistir, pois ao ouvir alguns ensinamentos, cheguei à conclusão que não havia saída pra mim, nem salvação. 
 
Entendo eu que quando se trata da Palavra de Deus, nem tudo está tão claro como muitos fazem acreditar. São muitos os temas controversos e de difícil compreensão. Há mistérios que somente o Senhor Deus pode esclarecer e não é dado aos homens conhecer por hora. Acredito, contudo, que se tais coisas não estão claras é porque não são decisivas para a nossa salvação. 
 
O Senhor tem toda razão quando diz que não é uma boa ideia oferecer ajuda a quem não está pedindo. Mas observo em alguns irmãos um certo interesse em "pensar fora da caixa" e era a estes que estava me referindo quando pedi autorização para repassar a cópia digital do livro.
 
Por fim, pastor, eu acho que o senhor deveria continuar publicando trechos do livro no site. Embora o foco do livro seja o dízimo, a obra discorre de assuntos preciosos como, por exemplo, a piedade, o amor ao próximo e um pouquinho de história. Quanto aos que não têm coragem de se identificar para pedir uma cópia eletrônica, eu achei a posição do senhor um pouquinho radical; acredito que a exemplo de Nicodemos, por motivos diversos, muitos começam assim: trocando ideias, espiando além do muro, anônima e discretamente, até que a mente se abra por completo e a mudança se exteriorize. Falo com conhecimento de causa! rsrs
 
Mais uma vez, muito obrigada pela atenção. Que o Senhor Jesus seja sempre seu firme fundamento.
 
A paz do Senhor!.
 
 
Em tempo: gostaria de sugerir dois temas de estudo para o site (se é que já não foram publicados): o primeiro sobre a existência do inferno, se possível, com uma abordagem sobre a visão da doutrina Adventista; e outro sobre o divórcio e novo casamento, em especial abordando o entendimento da corrente teológica que defende a impossibilidade total do novo casamento, alegando que o divórcio autorizado por Moisés se referia ao período de noivado. 
 
Grata!
 

Resposta, em 9/3/2015:

Prezada irmã Miriam, que a paz do Senhor Jesus seja com toda a sua casa.

 

Bom, seja como for, você ainda está acima da média nacional em relação à leitura. Em geral, o brasileiro lê muito pouco. Suas irmãs estão de parabéns! Acredito que você tem bons exemplos em sua própria casa e isso já lhe é um excelente estímulo. Pensando nisso, e por ter passado por algumas igrejas onde percebia que as pessoas nunca tinham lido toda a bíblia, desafiei todos os membros da ICC a lerem a bíblia comigo neste ano. Apesar do baixo nível de escolaridade de alguns, o resultado tem sido impressionante – todos estão seguindo o nosso plano de leitura anual (https://migre.me/oWH3O). Para que ninguém desanime, nossas reuniões semanais são dedicadas a mensagens e estudos sobre o livro que está sendo lido naquele período. Assim, fazemos a leitura como um dever de casa agradável, instrutivo e temos um momento para tirar dúvidas, fazer comentários das curiosidades descobertas e dar ênfase aos princípios bíblicos que vão se formando ao longo da instituição das leis, das profecias e da formação da história do povo de Deus. Atribuo a esse nosso empenho o crescimento que temos experimentado, tanto em qualidade como em quantidade.

 

Sobre o livro “Dízimos e Ofertas: pretextos dos impiedosos”, este tem sido para mim um manual de extrema utilidade. Quando fundei a ICC, a primeira coisa que eu fiz, foi apresentar este projeto para os primeiros membros da igreja, que o abraçaram comigo. Hoje, eu nem preciso mais dar explicações sobre dízimos e ofertas, pois os próprios membros se encarregam de apresentar nossa visão aos que vão chegando. E, se alguém tem dúvida de que esse modelo funciona, basta olhar no mural da igreja e verá como a coisa se realiza muito bem na prática. Disse isso para que você entenda que a minha parte eu tenho feito. Escrevi o livro, disponibilizei gratuitamente pela internet e fundei uma Denominação para experimentar na prática o que propomos na teoria. Creio que esse é o nosso diferencial. Eu li alguns livros sobre o assunto, conforme se vê na bibliografia do meu título, mas todos eles ficaram apenas na teoria. De modo diferente, nós estamos vivendo a teoria bíblica que anunciamos.

 

Enfim, penso que a quantidade de livros que já distribuí até agora foi suficiente para apresentar ao mundo uma opção para quem deseja viver a realidade bíblica e fazer a vontade de Deus livre de medos e superstições.

 

Quanto ao meu radicalismo, você foi bondosa comigo ao dizer que fui “um pouquinho” radical. Na verdade, eu sou bem intransigente em relação a algumas coisas. Deixe-me tentar explicar melhor minhas razões.

 

Luz e trevas não comungam. Qualquer pontinho de escuridão significa que ali não há a incidência da luz. Antes de me converter, eu acreditava que a “mentirinha branca”, que não fazia mal, era até necessária em alguns casos. Hoje, acredito que toda mentira é um ponto de treva e Satanás pode se aproveitar disso para desclassificar uma pessoa, deixando-a desacreditada e indigna de confiança. Quer algo pior do que isso para um cristão que precisa de crédito para anunciar a verdade? Nosso seminário de “Princípios Cristãos” toca profundamente nessas questões e eu seria incoerente se pregasse uma coisa e vivesse outra. Defendo que não pode haver em nossas vidas “pontinhos de escuridão”, pois Satanás, seus demônios e espíritos malignos operam exatamente onde há trevas. Aqui em casa, por exemplo, ninguém tem senhas secretas em seus telefones ou computadores. Ninguém teme que outro olhe seu aparelho celular ou veja seu histórico de navegação na internet. Todos nós usamos a mesma conta bancária e o mesmo cartão de crédito (titular e adicionais). A senha é a mesma para todos. Ou seja, não há segredos, medos ou vergonhas. Tudo é feito a luz do dia e todos confiam em todos.

 

Agora, pense bem: é exatamente o argumento do sigilo que pessoas estão permitindo que pontos de trevas invadam suas vidas sorrateiramente. Adultério, prostituição, corrupção, desvios de dízimos, pedofilia, pornografia, assaltos, roubos, sequestros etc.  Essas coisas odeiam a luz. Penso que todo cristão deveria ser radical com as trevas. Se um cristão admite pequenos pontos de trevas, significa que a cruz de Cristo ainda não operou completamente em sua vida. Jesus foi radical: sim, sim, não, não. Condenou inclusive intenções do coração, onde está o nosso ambiente de maior intimidade e segredos. Um simples planejar do coração já foi considerado como adultério pelo Mestre. E adultério é um pecado que era punido com a morte física no tempo da Lei e, hoje, no tempo da graça, é condenado com a segunda morte, a  espiritual.

 

Bom, querida, o meu mestre era bem radical com o pecado e eu tenho procurado andar em seus exemplos, até mesmo quando isso me parece ser muito difícil ou radical. Agora mesmo, sinto-me como um homem mau, que não é compreensivo com o fato de pessoas cristãs se relacionarem às escondidas na internet. Eu sei que todos têm motivos de sobra para justificar seu anonimato. Sobre essa questão, já tentaram me convencer de que as trevas podem ser justificadas em determinadas situações. Mas até hoje eu não consegui aceitar bem isso, pois não sai da minha mente o seguinte versículo bíblico:

 

"20 Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! " (Isaías 5:20)

 

Ademais, eu não consigo imaginar Jesus mudando seu nome para cumprir seu ministério ou se disfarçando para entrar em contato com os publicanos e pecadores sem que isso lhe trouxesse constrangimentos diante dos fariseus e dos religiosos de seu tempo. Outro exemplo é o de Pedro, que tentou ficar anonimamente infiltrado entre os que acompanhavam o julgamento de Jesus, mas isso o levou a negar seu mestre por três vezes. Somente com o cantar do galo Pedro foi despertado sobre seu pecado. Ora, se Deus quiser nos ocultar, para nos proteger, Ele mesmo fará isso, sem que precisemos de subterfúgios que contrariem seus princípios eternos:

 

"29 E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo. 30 Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se. " (Lucas 4:29-30)

 

Não posso negar que adorei o seu exemplo de Nicodemos, mas não podemos nos esquecer que quando ele foi a Jesus “de noite”, ele ainda não era um novo nascido. Logo, continuo achando que o anonimato só cai bem para os ímpios, que ainda não nasceram de novo.

 

Agora, permita-me um comentário precisamente sobre o anonimato na internet. Não sei se você notou, mas o anônimo fica mais corajoso, mais intrépido para falar, mais ousado para apontar defeito dos outros, para acusar e para ridicularizar seus correspondentes. O efeito do anonimato é um pouco parecido com o da bebida alcoólica, quando o embriagado fica valente, ousado, diz e faz o que não diria e nem faria se estivesse sóbrio. Nesses casos, vejo semelhança, uma vez que tanto o anônimo quanto o bêbado se metem facilmente em contendas.

 

No tempo em que eu permitia que pessoas me enviassem cartas anonimamente, logo percebi isso. Tenho certeza de que os xingamentos e as palavras ofensivas que ouvi vieram, na maioria das vezes, de pessoas normais, frequentadores de igreja e com um comportamento bem diferente em seus relacionamentos cotidianos. Ora, eu comecei a achar essas atitudes reprováveis. Imagine a seguinte situação: um homem que enxerga batendo em um cego. Assim é muito fácil, não é mesmo? O cego não tem como se defender – uma covardia. O anônimo, por vezes, faz a mesma coisa. Critica e aponta defeitos dos outros enquanto ele está seguro, pois os seus próprios defeitos ficam ocultos e não podem ser apontados.

 

Por minhas experiências com anônimos, logo, percebi que o anonimato e a bebida alcoólica produziam efeitos semelhantes nos indivíduos. Muitos perdem o controle em algumas situações. Assim, decidi que não mais conversaria com pessoas que não estivessem “sóbrias” e em perfeitas condições de assumir a responsabilidade por suas palavras. Eu nem leio e-mails anônimos, desprezo-os absolutamente.

 

Sim, eu sei que essa é uma escolha bem radical e me faz parecer intransigente e mau, mas pelo menos minha postura é aberta e franca.  E não só nesse aspecto que tenho que suportar minhas angústias de ser mau aos olhos dos homens. Na última igreja que estive envolvido, saí bastante criticado por ser exigente e “sem amor” com os que queriam um evangelho mais fácil de ser vivido, mais contemporâneo. Ouvi algumas vezes o seguinte: “todo mundo faz assim”, “as grandes igrejas aceitam isso ou aquilo e você quer ser melhor ou mais sabido do que elas?”

 

Não, eu não quero ser melhor que os outros, mas tenho muita convicção de meu chamado como pastor e pretendo cumprir o meu ministério da melhor forma possível. Estou ciente das minhas limitações e das qualidades que os outros ministérios possuem. Mas, se no corpo de Cristo fui chamado para ser apenas o dedo mínimo do pé, farei de tudo para ser um bom dedo mínimo do pé.

 

Não quero recriminar quem faz o que eu acho errado, pois cada um sabe de si mesmo e pode até estar mais certo do que eu. Mas, da minha parte, espero contribuir apenas com o que eu penso que é certo. Por isso, se alguém quer visitar o site anonimamente, não tem problema, mas não conte comigo para apoiar sua vida na sombra. Afinal, qual o problema de alguém se identificar para solicitar um livro? Eu simplesmente não consigo compreender o que pode haver de mau nisso. Mas, se alguém não pode se identificar para mim, então pague à Editora PerSe, que cobra caro para encadernar o livro e enviá-lo ao solicitante. Assim, eu nem ficarei sabendo quem pediu o livro, não é mesmo?

 

Miriam, querida, preocupo-me com você. De nada adianta pensar “fora da caixa” e continuar dentro dela. Diga-me, você pretende não ser dizimista mesmo participando de uma igreja adepta à doutrina do dízimo? Isso é certo? O que você escreve no envelope que entrega para o tesoureiro? Você declara que está entregando o dízimo quando só está dando uma contribuição qualquer? Ou você continua entregando seus exatos 10% apenas para não ser desobediente à sua liderança? O fato é que a verdade é algo inútil para quem não está decidido a segui-la a qualquer custo. Talvez, seja melhor deixar as pessoas na ignorância. Se um ignorante segue um líder maluco e ambos caem em um abismo, podemos culpar o maluco. Mas, se alguém esclarecido segue um doido e cai no buraco com ele, a culpa já não é do doido.

 

Por fim, quanto aos temas sugeridos, de fato, algumas questões merecem especial atenção de um pastor. Refiro-me à questão do casamento, do divórcio e do recasamento. Já refleti e li muito sobre o assunto e acabei escrevendo um livro para me servir de manual e guia para o meu ministério. Não pretendo e não vou publicá-lo. No passado, já andei respondendo cartas sobre o assunto, mas hoje não faço mais isso. Nessa questão, quero apenas cuidar do que Deus colocar sob meus cuidados e ninguém mais. Quando iniciei as atividades da ICC, fui procurado por um casal que queria que eu fizesse o casamento deles. Fiz minhas perguntas e depois expliquei as razões pelas quais eu não poderia atendê-los. Também, deixei, sutilmente, alguns conselhos para que eles pudessem acertar o que eu considerei torto. Eles nunca mais apareceram na ICC. Acredito que encontraram outro pastor para fazer a cerimônia. Quanto a mim, não fiquei chateado e nem me senti rejeitado. Continuo amando os dois e seguindo com o meu ministério do modo como creio que Deus me chamou para fazer.

 

Sobre a existência do inferno, confesso que nunca pensei em fazer um estudo sobre essa questão. Talvez eu até possa incluir esse assunto em um dos próximos níveis do nosso seminário, quando estivermos tratando de seitas e heresias.

 

Enfim, Mirian, espero não tê-la aborrecido com minhas muitas reflexões e intransigências. Escrevi um pouco mais do que o costume porque gosto de conversar com pessoas inteligentes como você. Também, estou aproveitando para contribuir com seu hábito de leitura rsrs. Foi muito bom conhece-la!

 

O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.

Grande abraço,

Pastor Sólon.

 

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