2 - Bíblia, a palavra de Deus

09/04/2015 19:18

"Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente" (Is 40.8).

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Hc 3.2

O temor pela Palavra de Deus

Terça - Rm 10.17

A Palavra de Deus produz fé

Quarta - Ef 6.1 7

A Palavra de Deus é a espada do Espírito

Quinta - Pv 30.5

A Palavra de Deus é escudo

Sexta - Mt 4.4

A Palavra de Deus é alimento

Sábado – 1 Co 1:18

A Palavra de Deus é poder

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Salmos 119.1-12.

1 - Bem-aventurados os que trilham caminhos retos e andam na lei do SENHOR. 2 - Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos e o buscam de todo o coração. 3 - E não praticam iniqüidade, mas andam em seus caminhos. 4 - Tu ordenaste os teus manda-mentos, para que diligentemente os observássemos. 5 - Tomara que os meus caminhos sejam dirigidos de maneira a poder eu observar os teus estatutos. 6 - Então, não ficaria confundido, atentando eu para todos os teus mandamentos. 7 - Louvar-te-ei com retidão de coração, quando tiver aprendido os teus justos juízos. 8 - Observarei os teus estatutos; não me desampares totalmente. 9 - Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. 10 - De todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. 11 - Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. 12 - Bendito és tu, ó SENHOR! Ensina-me os teus estatutos.

INTRODUÇÃO

A bíblia é a palavra de Deus e não apenas a contém, como afirmam aqueles que querem desmerecer seu conteúdo e inspiração.

A Palavra de Deus é a mais sublime obra literária já produzida. Tudo nela é singular: estilo, correção, graça e proposta. Sua singularidade, porém, acha-se no fato de ela ser a Palavra de Deus. Que outro livro pode fazer semelhante reivindicação?

Embora produzida no contexto histórico e cultural judaico, ninguém haverá de negar-lhe a universalidade. É o único livro contemporâneo de toda a humanidade; sua mensagem não se perde com o tempo.

Nesta lição, estudaremos a Bíblia não propriamente como obra literária; estudá-la-emos como a Palavra de Deus. Se assim não a acolhermos, de nada nos adiantará exaltar-lhe as qualidades artísticas. Foi-nos ela entregue, a fim de que reconheçamos a Deus como o Ser Supremo por excelência e a seu Filho Unigênito como o nosso Salvador.

I. O QUE É A BÍBLIA

Neste tópico, veremos o que é a Bíblia Sagrada. Em primeiro lugar, buscaremos uma definição etimológica à palavra Bíblia. Em seguida, constataremos o que pensam os liberais, os neo-ortodoxos e os teologicamente conservadores acerca das Sagradas Escrituras.

1. Definição etimológica. Originária do grego, a palavra Bíblia significa livros ou coleção de pequenos livros. Atribui-se a João Crisóstomo a disseminação desse vocábulo.

2. Posição liberal. Os teólogos liberais, contaminados por um racionalismo incrédulo e pernicioso, não reconhecem a Bíblia como a Palavra de Deus. Perdendo-se em especulações, asseveram que ela apenas a contém. Infelizmente, muitos desses mestres e doutores têm-se infiltrado em seminários dantes conservadores e vêm, de maneira sutil, desviando os alunos da verdade.

3. Posição neo-ortodoxa. Reagindo contra o liberalismo teológico, ensinam os neo-ortodoxos que a Bíblia torna-se a Palavra de Deus à medida que alguém, ao lê-Ia, tem um encontro experimental com o Senhor. Apesar das aparências, tal posicionamento fere a santíssima fé (Jd v.20). A Bíblia não se torna a Palavra a Deus; ela é a Palavra de Deus.

Portanto, erram aqueles que afirmam: "A Bíblia fechada é um simples livro; aberta, é a boca de Deus falando". Nada mais errado; aberta ou fechada, a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e inerrante.

 4. Posição ortodoxa. Os ortodoxos afirmam que a Bíblia é a Palavra de Deus. Dessa forma, a bíblia é colocada no lugar em que ela tem de estar: como a nossa suprema e inquestionável árbitra em matéria de fé e prática. Se a Bíblia o diz, é a nossa obrigação obede-cê-Ia sem quaisquer questionamentos. Ela é soberana!

II - A TRANSMISSÃO DA BÍBLIA

Como a Bíblia chegou até nós, na forma em que a conhecemos? Essa é a pergunta que não se cala entre crentes e descrentes. Em qualquer lugar do mundo é possível acessar a Bíblia na forma de livro. Ela já foi traduzida para mais de 1.600 idiomas e dialetos. Porém, há mais de 4.000 povos que ainda não podem ler as Escrituras em sua própria língua. Eis aí um enorme desafio para a igreja do Senhor Jesus.

1. A transmissão oral. Nos tempos mais remotos, conforme registros do Antigo Testamento, o Senhor comunicava-se com o homem verbalmente. Tanto é que lá no Éden, ele fora advertido pessoalmente pelo Eterno que não comesse do fruto da "árvore da ciência do bem e do mal" (Gn 2.17). Todavia, a ordem divina não foi cumprida, acarretando o drástica interrupção da comunhão entre Deus e sua principal criatura.

 

a) No período antediluviano.

Antes do Dilúvio, a Palavra de Deus fora transmitida oralmente por 1656 anos, aproximadamente. Esse período envolve os capítulos 1 a 5 de Gênesis, isto é, de Adão ao dilúvio. Época em que Deus criou os céus e a terra, o homem e os demais seres vivos; nesse período, deu-se o crescimento e o desenvolvimento do ser humano, e a corrupção geral do gênero humano, que culminou com o juízo divino sobre a humanidade.

b) Do dilúvio a Abraão.

Esse período compreende 1.427 anos, e envolve os capítulos 6 a 11 de Gênesis. Nesta época, Deus alertara Noé acerca do dilúvio, salvando a vida de oito pessoas: o patriarca, sua esposa, os três filhos (Sem, Cão e Jafé) e suas três noras. Se fizermos uma leitura cuidadosa das Escrituras verificaremos que Abraão transmitiu a Palavra de Deus oralmente a Isaque, e que essa mesma tradição perdurou até os dias de Moisés. Este, bem informado sobre os fatos transmitidos por seus pais, teve plena condição de ser o primeiro escritor humano da Bíblia Sagrada. "Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro e relata-o aos ouvidos de Josué (Êx 1 7.14).

c) A Palavra de Deus transmitida por nove homens.

Desde o dia em que Deus falara a Adão (Gn 1.28), até a época em que ordenara a Moisés escrever sua Mensagem (Êx 17.14), nove homens receberam o encargo da transmissão oral: Adão (930 anos) falou a Lameque (777 anos); este, a Noé (950 anos); este, a Abraão (175 anos); este, a Isaque (180 anos); este a Jacó (147 anos); este a Coate (133 anos); este a Anrão (137 anos); e este a Moisés (120 anos). A despeito da longevidade desses patriarcas, foi o próprio Deus que, milagrosamente, assegurou a fidelidade da transmissão de sua Palavra.

2. A transmissão escrita da Bíblia. Os chamados "livros canônicos" da Bíblia foram reunidos ao longo de 1600 anos; e isso se deu de forma especial e impressionantemente harmônica. Só a predominância da vontade de Deus sobre a mente humana pode explicar como cerca de 40 escritores puderam escrever os livros da Bíblia a partir de condições e circunstâncias tão diversas.

a) Deus, o único autor da Bíblia.

A despeito de Deus ser o único autor da Bíblia e de ter inspirado a todos os demais escritores, Ele mesmo se incumbiu dos primeiros registros das Escrituras: "E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no monte Sinai) as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus" (Êx 31.18; 32.16; Dt 4.13; 10.4). Trata-se, aqui, do Decálogo, um resumo eloqüente e poderoso de toda ética bíblica.

b) Moisés, o primeiro escritor.

Deus ordenou a Moisés que escrevesse num livro as orientações a seu sucessor Josué: "Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro e relata-o aos ouvidos de Josué..." (Ex 17.14). Moises tornou-se, desta forma, o primeiro escritor humano das Sagradas Escrituras. A Bíblia afirma que ele "escreveu todas as palavras do Senhor" (Êx 24.4); e que também, por ordem divina, guardou o livro da Lei "ao lado da arca do concerto do Senhor" (Dt 31.26).

3. Materiais utilizados para os registros bíblicos ao longo da história

O atual formato da Bíblia deve-se ao progresso da imprensa iniciada por Johann Gutemberg. No entanto, antes da evolução da imprensa, a Bíblia foi escrita em diversos materiais, conforme se vê na tabela a seguir:

MATERIAIS

DESCRIÇÃO

REFERÊNCIA

Pedra

Tábuas de Pedra

Êx 24.12; Dt 27.2

Óstraco

Cacos de cerâmica

Jó 2.8; Ez 4.1

Tabletes de Argila

Placas feitas de barro

Jr 17.13

Papiro           

Extraído de uma planta

Jó 8.11; Is 18.2

Couro

Pele de animais

Jr 36.23

Pergaminho

Pele de animais

2Tm 4.13

III - A COMPOSIÇÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA

1. A biblioteca divina. A Bíblia é constituída de 66 livros, e foi escrita em um período de 1600 anos. Durante esse tempo, Deus usou cerca de 40 homens para escrever, reunir e preservar o Sagrado Livro. Nela encontramos histórias, poesias, biografias, normas, orações, profecias e outros relevantes temas e diversos gêneros literários. Em todos os livros, Cristo é o tema central da Bíblia.

2. O cânon bíblico. A palavra "cânon", antigamente, referia-se a uma haste usada para medir (Ez 40.3). Mais tarde, passou a significar regra, norma, ou padrão de medida (GI 6.16; Fp 3.16). Aplicada à Bíblia, "cânon" é o conjunto de livros inspirados por Deus que transmitem a vontade do Eterno para sua Igreja, regulamentando a vida e a conduta de fé dos cristãos. O cânon do Antigo Testamento foi plenamente concluído em 1046 anos, aproximadamente; e o do Novo, por volta do ano 100 d.C.

IV. A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA

Mattew Henry, um dos maiores expositores das Sagradas Escrituras, é categórico ao referir-se à inspiração da Bíblia: "As palavras das Escrituras devem ser consideradas palavras do Espírito Santo". Como não concordar com Henry? Basta ler a Bíblia para sentir, logo em suas palavras iniciais, a presença do Espírito Santo.

1. Definição etimológica. A palavra inspiração vem de dois vocábulos gregos: Theos, Deus; e pneustos, sopro. Literalmente significa: aquilo que é dado pelo sopro de Deus.

2. Definição teológica. "Ação sobrenatural do Espírito Santo sobre os escritores sagrados, que os levou a produzir, de maneira inerrante, infalível, única e sobrenatural, a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada" (Dicionário Teológico - CPAD).

3. Inspiração verbal e plenária da Bíblia. Doutrina que assegura ser a Bíblia, em sua totalidade, produto da inspiração divina.

Plenária: todos os livros da Bíblia, sem qualquer exceção, foram igualmente inspirados por Deus. A inspiração plenária indica que o conteúdo, o ensino, e a doutrina das Escrituras, foram completamente inspirados por Deus. Não há na Bíblia qualquer parte que não seja inspirada e autorizada por Deus: "Toda a Escritura é divinamente inspirada" (2 Tm 3.16 - ARA).

Verbal: o Espírito Santo guiou os autores não somente quanto às idéias, mas também quanto às palavras dos mistérios e concertos do Altíssimo (2Tm 3.16). Portanto, a inspiração verbal das Escrituras não é uma mera teoria, mas a natureza própria da Bíblia (2Sm 23.2; 1Co 2.13; Hb 3.7).

A inspiração plenária e verbal, todavia, não eliminou a participação dos autores humanos na produção da Bíblia. Pelo contrário: foram eles usados de acordo com seus traços pessoais, experiências e estilos literários (2Pe 1.21).

4. A inspiração da Bíblia é única. Além da Bíblia, nenhum outro livro foi produzido de igual forma; a Palavra de Deus é a obra-prima por excelência da raça humana.

5. Traduções Bíblicas. As fontes originais dos escritos bíblicos, os chamados autógrafos ou manuscritos foram inspirados por Deus. Porém, as inúmeras cópias deles extraídas, bem como as traduções ou versões, muitas vezes modificadas pelos copistas ou tradutores, nem sempre são consideradas escritos inspirados. Somente as traduções ou versões, comprovadamente fiéis aos originais, acham-se dignas dessa reputação.

6. A revelação bíblica. Por "revelação", entende-se o agir de Deus pelo qual Ele dá a conhecer ao escritor sagrado coisas ignoradas, isto é, o que este, por si só, não poderia saber. Ver Dn 12.8; 1Pe 1.10,11. A inspiração nem sempre implica revelação. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus, mas nem toda ela foi dada por revelação. Lucas, por exemplo, foi inspirado a examinar trabalhos já conhecidos e escrever o Evangelho que traz o seu nome (Lucas 1.1‑14). O mesmo se deu com Moisés, que foi inspirado a registrar o que presenciara, como relata o Pentateuco.

V. A INERRÂNCIA DA BÍBLIA

A melhor maneira de se compreender uma doutrina é buscar-lhe uma definição adequada. Sua conceituação, a partir daí, torna-se mais fácil e não pecará pela falta de clareza e objetividade. Vejamos, pois, de que forma haveremos de definir a doutrina da inerrância bíblica.

1. Definição etimológica. A palavra inerrância vem do vocábulo latino inerrantia e significa, literalmente, qualidade daquilo que não tem erro.

2. Definição teológica. A inerrância bíblica é a doutrina, segundo a qual as Sagradas Escrituras não contêm quaisquer erros por serem a inspirada, infalível e completa Palavra de Deus (SI 119.140). A Bíblia é inerrante tanto nas informações que nos transmite como nos propósitos que expõe e nas reivindicações que apresenta. Sua inerrância é plena e absoluta. Isenta de erros doutrinários, culturais e científicos, inspiranos ela confiança plena em seu conteúdo (SI 19.7).

Razoes pela quais a bíblia é inerrante

1. Autoria divina. A autoria divina da Bíblia é o fundamento e a garantia de sua inerrância e infalibilidade. Há milhões de livros espalhados pelo mundo (Ec 12.12); e todos foram escritos por autores falhos, propensos a cometerem todo tipo de erro. Porém, o Autor da Bíblia, jamais falta: "Deus não é homem, para que minta (...). Porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?" O Eterno não mente, não falha e não erra (Nm 23.19; Tg 1.17). Quando ele diz, faz; quando ele promete, cumpre.

2. Supervisão e orientação do Espírito Santo (2Tm 3.16; 2Pe 1.19-21). Os livros da Bíblia foram escritos sob a supervisão e orientação do Espírito Santo (Mc 12.36; 1Co 2.13). As Escrituras não são produto da perspicácia e criatividade da mente humana, mas é o resultado da ação sobrenatural de Deus sobre ela: o Espírito inspirou (2 Pe 1.19-21), ensinou (1 Co 2.13) e revelou seus mistérios (GI 1.12; Ef 3.2,3).

3. A Bíblia é a exata Palavra de Deus. Do limiar ao fechamento do Cânon Sagrado, os escritores bíblicos reproduziram exatamente o que haviam recebido da parte de Deus: "Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que eu vos mando" (Dt 4.2). A Bíblia é a precisa Palavra do Senhor: ela é correta (SI 33.4), perfeita (SI 19.7), pura (SI 119.140), e eterna (ls 40.8; Lc 21.33).

O cumprimento da bíblia demonstra sua inerrância

1. O cumprimento das profecias. O principal fato que atesta a inerrância das Sagradas Escrituras é o cumprimento de suas profecias. Vejamos, pois, algumas das mais de 300 profecias messiânicas cabalmente cumpridas: a) a concepção virginal de Jesus (ls 7.14; Mt 1.22); b) o local do nascimento de Jesus (Mq 5.2; Mt 2.6); c) mãos e pés de Jesus furados e sua túnica sorteada (SI 22.16,18; Jo 19.24,37), etc. Além dessas, muitas outras profecias cumpriram-se literalmente na história dos impérios antigos, das nações modernas e na vida de muitos indivíduos.

2. A História confirma a Bíblia. Centenas de fatos e eventos bíblicos têm sido confirmados pela história secular. Entre tantos, encontramos: a) as duas deportações, de Israel e Judá, pelos assírios e babilônicos respectivamente (2Rs 1 7.6; 2Rs 24.10-1 7; Jr 25.11); b) a destruição de Jerusalém, profetizada por Jesus e cumprida no ano 70 dC. (Mt 24.2); c) a restauração de Israel, predita em Ezequiel 36.25-27 e cumprida em maio de 1948. A Palavra de Deus é Fiel e verdadeira!

 

REFLEXÃO

“Atribuirei todas as aparentes incoerências da bíblia à minha própria ignorância (John Newton)

3. A verdadeira ciência confirma a Bíblia. A Bíblia não é um livro científico. A ciência inúmeras vezes constatou a veracidade das afirmações bíblicas nesta área, como por exemplo, a de que a Terra é "solta" no espaço. O patriarca Jó sabia disso há, aproximadamente, 1.500 anos a.C. (Jó 26.7), como também tinha conhecimento que no centro da Terra há fogo (Jó 28.5). Isaías, o profeta, há mais de mil anos antes da ciência moderna, já afirmava que a Terra é redonda (ls 40.22). Inúmeros achados arqueológicos também confirmam a veracidade da Bíblia. Deus vela sobre sua Palavra para cumpri-Ia (Jr 1.12; Lc 21.33).

VI. A INFALIBILIDADE DA BÍBLIA

Inerrância e infalibilidade.

O conceito de inerrância da Bíblia está intimamente associado ao de infalibilidade. Pelo fato de não conter erros, ela é infalível. Tudo o que a Bíblia diz cumpre-se cabalmente: "Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre" (1Pe 1.24,25). Essa infalibilidade é conseqüência de a Palavra de Deus nunca ter sido "produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (2Pe 1.21).

O que é a infalibilidade?

É a qualidade, ou virtude, do que é infalível; é algo que jamais poderá falhar.

Ao tratar da infalibilidade da Palavra de Deus, ousadamente expressou-se Carl F. Henry: "Há apenas uma única coisa realmente inevitável: é necessário que as Escrituras se cumpram". O que isto significa? Simplesmente, que a Bíblia é infalível. Jesus afirmou categoricamente: "A Escritura não pode falhar" (Jo 10.35).

Definição teológica de infalibilidade

Doutrina que ensina ser a Bíblia infalível em tudo o que diz. Eis porque a Palavra de Deus pode ser assim considerada: 1) Suas promessas são rigorosamente observadas; 2) Suas profecias cumprem-se de forma detalhada e clara (a exemplo das Setenta Semanas de Daniel); 3) O Plano de Salvação é executado apesar das oposições satânicas. Nenhuma de suas palavras jamais caiu, nem cairá, por terra.

A Bíblia dá testemunho de sua infalibilidade.

Leia com atenção as seguintes passagens: Dt 18.22; Dn 9.2; Mt 1.22; Mc 13.31; At 1.3.

VII - A COMPLETUDE DA BÍBLIA

A Bíblia é completa em seu conteúdo

O conteúdo bíblico não pode sofrer quaisquer alterações, pois tudo o que foi escrito teve a supervisão e aprovação do Espírito Santo (2Pe 1.20-21; Is 40.8).

A Bíblia é completa em sua mensagem

A mensagem das Escrituras é perfeitamente completa. Ela é fruto da revelação que Deus fez de si mesmo à humanidade. Vejamos:

a) Completa em sua mensagem salvífica.

A Bíblia é completa quanto à mensagem de salvação para o homem perdido. Ela está centrada no amor incondicional de Deus à humanidade. Tanto é que Jesus, nosso amado Salvador, é o tema central desse Santo Livro. Nas Escrituras não há lugar para outros salvadores ou mediadores (Jo 14.6; At 4.12; 1Tm 2.5).

b) Completa em sua mensagem sobre a história humana.

A Bíblia mostra que a história da humanidade é linear: tem começo e fim. A partir da criação do primeiro casal, passando pela queda e redenção por meio de Cristo, a história do homem chegará a seu desfecho num tempo em que a Escritura denomina "consumação dos séculos" (Mt 13.49; 28.20).

 Após isso, (Mt 24.14; 1Co 15.24), Deus continuará executando seus eternos propósitos para o universo: "novos céus e nova terra" surgirão (ls 65.17; 2Pe 3.13; Ap 21.1).

A deturpação da completude da bíblia

a) Por adição

No Apocalipse, Jesus advertiu-nos quanto ao perigo de se adicionar qualquer coisa à Palavra de Deus: "[...] se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro" (Ap 22.18). Infeliz-mente, os chamados "Testemunhas de Jeová" incorreram neste terrível pecado quando traduziram o texto de Jo 1.1 de forma equivocada. No original está escrito: "o Verbo era Deus", todavia, eles traduziram "o Verbo era um deus". Ou seja, acrescentaram o artigo indefinido "um" e traduziram "Deus" com "d" minúsculo, assim negando a divindade de Cristo.

b) Por subtração

Diz-nos o Apocalipse: "... e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro" (Ap 22.19).

Não são poucos os falsos teólogos que têm procurado subtrair da Bíblia partes relevantes, com a clara intenção de diminuir seu caráter divino e sentido de completude. Tais homens, céticos e presunçosos, costumam afirmar que nem tudo o que está na Bíblia foi inspirado e revelado por Deus. Apregoam, inclusive, que não se deve crer na concepção virginal de Cristo, em seus milagres e em sua ressurreição.

c) Por modificação

Com a "inocente" intenção de contextualizar e adaptar a mensagem das Escrituras aos tempos pós-modernos, certas versões da Bíblia têm modificado palavras e até frases inteiras, a fim de alterar ou, pelo menos, atenuar o sentido da Palavra de Deus. Palavras como "sodomitas" e "efeminados" são retiradas e substituídas por outras mais indiretas ou amenas. Os "Testemunhas de Jeová", por exemplo, modificaram o texto de Gn 1.2. Em vez de traduzirem a expressão original desse texto por "Espírito de Deus", verteram-na por "força ativa de Deus".

d) Por substituição

Muitas religiões e seitas dizem crer na Bíblia, mas não a consideram como "verdade absoluta de Deus para o homem". No catolicismo, por exemplo, as tradições e os dogmas têm a mesma autoridade das Escrituras; conforme declaração do Concílio de Trento (1.545). Na prática, a Bíblia foi preterida pela tradição humana (Mc 7.13).

Agressões à ortodoxia bíblica

a) Livros ditos revelados

Muitos autores de obras teológicas têm mais objetivos comerciais que espirituais. Alguns, inclusive, alegam ser possuidores da "última revelação" divina. Entretanto, seus livros não passam de engodos, e evidenciam graves distorções da Palavra de Deus.

b) Experiências pessoais

Em muitas igrejas, há os que se apresentam como profetas, videntes ou portadores de uma unção especial. Alguns desses indivíduos afirmam que receberam uma "revelação" específica da parte Deus. Todavia, tais "revelações" não resistem ao escrutínio das Escrituras. Há muitas falsas doutrinas no meio evangélico baseadas unicamente em experiências pessoais. São muitas as invencionices da imaginação humana! (CI 2.8). Nem profecia, nem sonho, nem revelação, nem experiência pessoal; por mais impactantes que sejam, têm autoridade semelhante ou superior à Bíblia Sagrada.

c) Novas teologias

Há, em nossos dias, diversas "novas teologias" que alteram a mensagem bíblica. Uma delas, a teologia da prosperidade, assevera que "nenhum crente pode ser pobre ou adoecer". Seus proponentes chegam a afirmar que o "crente é a encarnação de Deus". Diante desse ensino distorcido, entendemos porque os adeptos dessa doutrina anunciam que podem obter o que quiserem, pois segundo o que pensam, são deuses.

Outra heresia não menos absurda é o ensino de que devemos perdoar nossos antepassados (heresia) e, ainda, o próprio Deus (heresia). Tais heresias constituem uma distorção da mensagem bíblica e não devem ser incorporadas ao ensino bíblico saudável.

VIII. A SUPREMACIA DA BÍBLIA EM MATÉRIA DE FÉ E PRÁTICA

"A autoridade da Bíblia não provém da capacidade de seus autores humanos, mas do caráter de seu Autor". Foi o que afirmou J. Blanchard. Ora, se a autoridade da Bíblia é absoluta, como haveremos de questioná-Ia? Vejamos, em primeiro lugar, o que é a autoridade.

1. Definição etimológica. Oriunda do vocábulo latino autoritatem, esta palavra significa: Direito absoluto e inquestionável de se fazer obedecer, de dar ordens, de estabelecer decretos e, de acordo com estes, tomar decisões e agir a fim de que cada decreto seja rigorosamente observado.

2. Definição teológica. Poder absoluto e inquestionável reivindicado, demonstrado e sustentado pela Bíblia em matéria de fé e prática. Tal autoridade advém do fato de ela ser a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus.

3. Testemunho da Bíblia a respeito de sua autoridade. Leia as seguintes passagens: Is 8.20; 30.21; 1Co 14.37.

IX. BENEFÍCIOS NO ESTUDO DA BÍBLIA

1. Crescer em conhecimento. Todo crente necessita ler e estudar a Bíblia diariamente, para crescer no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (2Pe 3.18). Infelizmente, há crentes fracos, franzinos, raquíticos espiritualmente, por falta de alimento, que é o conhecimento da Palavra de Deus.

2. Evitar as "meninices". Quando os crentes não lêem a Bíblia, tampouco a estudam, quase sempre, portam-se como meninos espirituais. Conforme afirma as Escrituras, tais pessoas, por não estarem fundamentadas na Palavra, são levadas "em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente" (Ef 4.14; Os 4.6; 6.3; Pv 4.7).

3. Meditação. "Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!" (SI 119.97). Como vemos, o salmista tinha prazer em ler e meditar na Palavra de Deus. Meditar é ter uma atitude interior de reflexão, ponderação, e exame daquilo que estamos pensando. Hoje, com a agitação da vida moderna, é muito difícil refletirmos habitualmente.

4. Prevenção. Precisamos ter a Palavra de Deus escondida em nosso coração para não pecarmos contra o Senhor (SI 119.11). Um dos fatores que mais contribuem para a queda do crente é a falta de prevenção. Orar (Mt 26.41), ler e estudar a Bíblia, de maneira que o coração e a mente fiquem saturados da Palavra de Deus, são atitudes preventivas imprescindíveis para vencermos todas as sutis tentações do Maligno.

 

X- COMO ESTUDAR A BÍBLIA

1. Com atitude espiritual.

a) Humildade. O estudioso da Bíblia deve curvar-se com humildade diante de Deus. Paulo disse: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis, os seus caminhos!" (Rm 11.33; Mt 11.25).

b) Fé e oração. O estudioso da Bíblia só poderá extrair dela lições aplicáveis à sua vida se tiver fé. A oração e a fé são as chaves que abrem as portas da percepção das verdades emanadas da Palavra de Deus.

c) Santidade. A Bíblia determina que devemos ser santos em toda a maneira de viver (1 Pe 1.1 5). A leitura e o estudo da Bíblia devem levar o estudioso a não pecar contra Deus (SI 119.11). "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17).

2. Com atitude intelectual.

a) Método. Um método simples, porém eficaz de leitura bíblica, é seguir uma tabela de leitura, que se encontra em muitas Bíblias. Outro método, também simples, é ler três capítulos por dia, de segunda a sexta-feira, e cinco capítulos aos domingos e feriados.

b) Anotações. Ao ler um texto bíblico, o estudante, ou o estudioso, deve ter o hábito de destacar certos aspectos relevantes, que observa. Poderá sublinhar o que lhe chama a atenção; e poderá anotar, à margem, termos ou frases, que são significativas, no estudo, ou ter uma caderneta de anotações.

c) Observar regras de interpretação bíblica. O estudioso da Bíblia pode conhecer as regras de interpretação, adquirindo um bom livro de Hermenêutica.

CONCLUSÃO

A Bíblia é a fonte mais fidedigna sobre a origem da vida e do homem, bem como do desenvolvimento da humanidade a partir da criação, passando pela Queda e Redenção, até o final de todas as coisas, na consumação dos séculos.

Conforme o estudo em apreço, a Bíblia é a Palavra de Deus. Ainda que os ateístas ou materialistas, invistam de forma grosseira contra o Santo Livro, este permanece inabalável em seu conteúdo, revelado e inspirado por Deus.

Como filhos de Deus, não podemos afastar-nos jamais das Sagradas Escrituras; destas, todos dependemos vitalmente. Quanto mais as lermos, mais íntimos seremos de seu Autor. Tem você lido regularmente a Bíblia? Tem-na estudado todos os dias? Se você realmente deseja um avivamento, comece a ler com redobrado fervor o Livro dos livros. Sem a Bíblia não pode haver avivamento.

 

QUESTIONÁRIO

1. Qual o significado da palavra Bíblia?

R. Livros ou coleção de pequenos livros.

2. O que é a inspiração da Bíblia?

R. Ação sobrenatural do Espírito Santo sobre os escritores sagrados, que os levou a produzir, de maneira inerrante, a Palavra de Deus.

3. O que é a inerrância da Bíblia?

R. Doutrina segundo a qual a Bíblia não contém quaisquer erros.

4. O que é a infalibilidade da Bíblia?

R. Doutrina que ensina ser a Bíblia infalível em tudo o que diz.

5. O que é a autoridade da Bíblia?

R. Poder absoluto e inquestionável reivindicado e sustentado pela Bíblia em matéria de fé e prática.

6. Faça uma síntese da transmissão oral da Bíblia.

7. Faça uma síntese da transmissão escrita da Bíblia.

8. O que é o cânon bíblico?

9. O que se entende por "inspiração plenária" da Bíblia?

10. Cite duas características da completude da mensagem da Bíblia.

12. Descreva quatro atividades humanas que deturpam a completude da Bíblia.

13. Na sua opinião, qual destas deturpações é a mais perigosa?

14. Quais são as agressões mais comuns à ortodoxia bíblica?

15. Cite três benefícios no estudo da Bíblia.

16.Qual desses benefícios você costuma desfrutar?

17. Descreva duas atitudes necessárias ao estudo da Bíblia.

 


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